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sábado, agosto 15, 2009

E se...



E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubú cocorocar
E se o Botafogo for campeão
E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar
F se o pantanal virar pirão
E se o pão de açúcar desmanchar
E se tiver sopa pro peão
E se o oceano incendiar
E se o Arapiraca for campeão
E se a meia·noite o sol raiar
E se o meu pais for um jardim
E se eu convidá-la pra dançar
E se ela ficar assim, assim
E se eu lhe entregar o meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então
De mim

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Pelas tabelas

domingo, novembro 16, 2008

Olhos nos olhos

segunda-feira, novembro 28, 2005

Ludo Real



Que nobreza você tem
Que seus lábios são reais
Que seus olhos vão além
Que uma noite faz o bem
E nunca mais
Que salta de sonho em sonho
E não quebra telha
Que passa através do amor
E não se atrapalha
Que cruza o rio
E não se molha

(Vinicius Cantuária/ Chico Buarque)

sexta-feira, maio 27, 2005

Flor da Idade


A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor

Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor


Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor


Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

domingo, outubro 03, 2004

Trocando em miúdos


Eu vou lhe dar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde


(C. Buarque/F. Hime)

domingo, setembro 26, 2004

Iolanda


Esta canção
Não é mais que uma canção,
Quem dera fosse uma declaração de amor
Romântica,
Sem procurar a justa forma
Do que me vem de forma assim tão caudalosa,
Te amo, te amo,
Eternamente te amo.

Se me faltares
Nem por isso eu morro,
Se é pra morrer
Quero morrer contigo.
Minha solidão
Se sente acompanhada,
Por isso, às vezes, sei que necessito
Teu colo, teu colo,
Eternamente teu colo.

Quando te vi
Eu bem que estava certo
De quem me sentiria descoberto.
A minha pele
Vais despindo aos poucos,
Me abres o peito quando me acumulas
De amores, de amores,
Eternamente de amores.

Se alguma vez
Me sinto derrotado,
Eu abro mão do sol de cada dia
Rezando o credo
Que tu me ensinaste.
Olho teu rosto e digo à ventania
Iolanda, Iolanda,
Eternamente Iolanda.
Iolanda,
Eternamente Iolanda,
Eternamente Iolanda.


(C. Buarque/ P. Milanes)